Brasil vira exemplo por
enxergar oportunidades na sustentabilidade
Isaac
Edington
O Brasil
vê oportunidades no desenvolvimento sustentável. A afirmação foi feita
por Aris Vrettos, diretor do Programa de Liderança de
Sustentabilidade da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, por meio do
artigo Lições do Brasil: a
sustentabilidade deve permitir que as pessoas alcancem suas ambições, publicado no blog de
negócios sustentáveis do jornal inglês The Guardian.
Segundo
Vretos, que esteve recentemente no Brasil para um evento da Confederação
Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde
Suplementar e Capitalização (CNseg), a agenda da sustentabilidade se
torna cada vez mais importante para os líderes empresariais que se sentem
responsáveis para com as suas comunidades e o país como um todo.
“Encontrei
brasileiros fazendo a coisa certa”, relatou Vrettos, ao citar exemplos como o
de Marco Antônio Rossi, CEO da Bradesco Seguros e presidente da CNseg, para
quem “o tema da sustentabilidade sempre é uma motivação”. O diretor
da Universidade de Cambridge lembrou também dos desafios que o Brasil
enfrenta, como as desigualdades sociais, problemas estruturais e manifestações
populares recentes às vésperas da Copa do Mundo e das Olimpíadas.
Segundo
ele, para muitos, o sonho brasileiro significa subir ter mais acesso a renda,
comprar um carro melhor ou enviar as crianças para escolas caras e protegidas
por um pequeno exército de agentes de segurança.
“Mas isto
não é necessariamente o futuro”, pontua Vrettos, ao citar o que ouviu em São
Paulo da ex-colega e documentarista Fernanda Polacow: “Essa não é a nossa visão
de uma vida melhor. Havia muitas pessoas que protestavam porque esta não é uma
aspiração sustentável.”
Lição dos
emergentes
Para
o diretor da Universidade de Cambridge, que em setembro deverá voltar ao
Brasil para lançar um programa de negócios sustentáveis, juntamente com
o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável
(CEBDS), os líderes brasileiros se destacam porque “arregaçam as mangas na hora
de fazer”, ao contrário de muitos colegas do chamado mundo desenvolvido.
“Muitos
líderes do pensamento sustentável tradicional, acostumados a altos padrões de
vida e a baixas taxas de crescimento, ficam desesperados com a falta de
progresso do mundo desenvolvido e apelam à rápida e radical dissociação ou
interrupção do crescimento econômico. Porém, nesta parte do mundo, a
sustentabilidade é para ser feita, não reprimida”, defendeu Vrettos.
“Devemos
fazer mais para entender o que um mundo melhor e mais sustentável significa em
diferentes lugares e como podemos chegar a ele para manter as pessoas produtivas
e felizes. Estes são conceitos em que os países em desenvolvimento são muito
bons – e podemos aprender com eles. Só para registrar: o Brasil venceu por 3 a
0″, concluiu Aris Vrettos, em alusão irônica ao artigo do The
Guardian publicado na véspera da final da Copa das Confederações, no
qual havia a previsão de que o sistema vencedor dos espanhóis poderia dar uma
lição a impulsividade do talento brasileiro.



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